Avisos Paroquiais
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HOMILIA DA FESTA DE CORPUS CHRISTI

23/06/2011

Queridos irmãos e irmãs, hoje é um dia muito  especial para nós , que acreditamos na presença real de Jesus na Eucaristia.  Nossa caminhada  nossa procissão  não deve ser vista como mais uma procissão, mas sim nossa manifestação de amor de carinho de devoção ao Sagrado Mistério deixado por Jesus Cristo a humanidade.
A Eucaristia é uma aliança nova, uma relação de Deus com a humanidade, e do homem com Ele por meio do corpo sacrificado e do sangue de Cristo derramado como sacrifício por amor e salvação dos homens convocados por Deus para sua família e assembléia que é a Igreja.

Eucaristia refeição fraterna de um mesmo e único pão de vida que é o corpo do Senhor. É o novo mana do novo povo de Deus. A Igreja que caminha no deserto da vida sempre em marcha até a pátria esperada do novo céu e da nova terra.

A Eucaristia para que seja um autêntico memorial do Senhor, do mistério profundo de sua paixão e ressurreição exige a união, o amor fraterno e a completa unidade do grupo que celebra com fé a ceia do Senhor. Por isso que a Eucaristia é o centro de toda a vida  e vida cristã, o ponto maximo de  referencia para o cristão que  quer viver bem o mistério do Cristo em profundidade.

A Festa do Corpo e Sangue de Cristo na qual estamos celebrando  é o dia da caridade. Amar a Deus e os homens como nossos irmãos, em toda a Eucaristia há pelo menos um mínimo de sinal de amor fraterno e de comunhão; a assembléia reunida, a oração o louvor comum, o Pai nosso, a saudação mutua ou o gesto da paz e, sobretudo a participação do mesmo pão na mesa comum do Senhor: comunhão eucarística que para ser plena, deve ter duas vertentes: a vertical e a horizontal, isto é com Cristo e com os irmãos.

Para os primeiros cristãos e Santos Padres da Igreja era inconcebível que a eucaristia pudesse ser celebrada numa comunidade cristã dividida pelo desamor. Aquele que tiver um desentendimento com seu companheiro que não se junte conosco, para que o vosso sacrifício não se manche.

Queridos irmãos a presença de Deus no meio de nós assumiu na historia a forma visível e tangível de Jesus, imagem visível do Deus invisível, revelador do mistério do Pai. A sua encarnação e seu nascimento em Belém, é o ápice de uma longa série de sinais através dos quais o Deus vivo tenha feito sentir sua presença.

Ele continua doando no sinal do pão partido e do vinho, nos quais oferece seu corpo como alimento e seu sangue como bebida de salvação e de vida. Ele permanece conosco até o fim do mundo.

Meditando agora a respeito da palavra de Deus, notamos que o autor do trecho da leitura de hoje os convida a ‘lembrar ‘, não ‘esquecer’ aquilo que Deus cumpriu em favor de seus pais no passado. Não é a primeira vez que se encontram diante de dificuldades insuportáveis.

Deus no passado sempre os salvou: pensem, por exemplo, sobre o que aconteceu no deserto. Naquele Lugar assustador, as dificuldades eram imensas: fome, sede, cobras venenosas, perigo de se perder. Se tivessem contado exclusivamente com suas próprias forças e recursos, com certeza teriam perecido. Quem os salvou?

O Livro do Deuteronômio responde: foi a Palavra de Deus, que fez aparecer o maná no deserto, um alimento desconhecido no passado, um alimento completamente novo. Quer ensinar também ao seu povo e a nós também uma verdade muito importante: a palavra de Deus tem o poder de resolver situações humanamente desesperadoras. A maneira como ele as soluciona constitui sempre para o homem uma grande e agradável surpresa.

Na segunda leitura Paulo esta respondendo aos coríntios sobre o comportamento cristão nos banquetes sacrificais dos pagãos. Pode um cristão participar deles? Todo fiel deve responder a si mesmo,  principalmente no que acontece na Eucaristia; o pão eucarístico é sinal e ratifica a unidade recíproca dos cristãos entre si e dos cristãos com Cristo.

Diante destas afirmações tão claras da palavra de Deus, como poderemos julgar o fato que no mundo existam tantos homens batizados que comem o mesmo pão e, logo depois tomam armas para se matar uns aos outros? Podem os cristãos comungar juntos o banquete eucarístico e depois, fora da Igreja, praticar o engano, o ódio, prejudicando-se reciprocamente a própria vida e as famílias?

Comungar com estas más disposições no coração significa como mais adiante Paulo, dirá na mesma carta: “Comer e beber a própria condenação. (11,19).

Meus irmãos e irmãs, Jesus fez um grande milagre: multiplicou os pães e os peixes para alimentar uma multidão de pessoas. Através deste gesto ele mostrou seu amor pelas pessoas necessitadas, mas quis, especialmente, introduzir uma grande mensagem: um dia ele dará outro pão.

Para nós hoje o que Jesus disse está muito mais claro. O pão do céu é, antes de mais nada, a palavra de Deus, a mensagem do Pai que Jesus veio trazer ao mundo. Esta palavra é para os homens verdadeiro pão da Vida. As outras palavras contrárias às suas podem parecer doces e agradáveis, mas de fato trazem sempre e somente a infelicidade e a morte.

Jesus diz que o pão é ele mesmo. É a sua pessoa que deve ser comida, que deve ser assimilada. É a sua existência, doada em favor dos homens, que deve se tornar nossa. Não se come o Pão eucarístico, para ter Jesus mais perto (ele está sempre muito perto de cada ser humano) e nem se deve comungar para pedir alguma graça particular, aproveitando a oportunidade de Jesus ter vindo visitar-nos, ter vindo ao nosso coração. Esta é uma forma sentimental e devocional de entender a Eucaristia, forma que deve ser superada para poder penetrar no seu verdadeiro sentido.

Para Finalizar nossa reflexão deste dia tão importante para nós Cristãos, Todos nós sabemos que  não se pode receber a Eucaristia sem antes ter lido a Palavra de Deus, Por que? Porque na palavra de Deus nós descobrimos cada vez um aspecto novo da pessoa de Jesus; em seguida, no gesto de comer o seu Corpo, nós queremos que a sua carne transpareça na nossa carne, de uma forma sempre mais luminosa.

É como se aceitássemos que Jesus se encarnasse em nós. Após a comunhão, quem nos vê fora da Igreja, em casa, no campo, no trabalho, quem analisa as nossas ações, quem contempla o nosso semblante, o nosso olhar e o nosso sorriso deveria sempre reconhecer em nós Jesus, que continua amando, agindo, falando, ensinando, sorrindo...

Somente quando nos mantemos nesta disposição de nos deixar transformar na pessoa de Jesus, podemos realmente afirmar que toda a nossa vida está iluminada pela Eucaristia.

O processo é muito lento, é composto de sucessos e fracassos, mas a humilde escuta da Palavra de Deus e a comunhão com o corpo de Cristo que nos é oferecido como alimento conseguem completar este milagre. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Pe. José Bento Vichi de Paula (Pe. Bentinho)
Pároco da Paróquia São Sebastião - Vila Industrial

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