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O direito de ser criança

19/10/2009

Ah que saudade da minha infância! Não, isso não é um momento saudosista da minha parte. É lamentação! Lamento por uma infância que quase não existe mais. A fase do ser humano classificado como infância existe. O que não existe é a vivência infantil.

Não deixamos as crianças em seu mundo puro. As crianças de hoje estão sobrecarregadas de tarefas o que lhes deixam sem tempo para o lazer, e este por sua vez quando é concedida a uma criança, vem cheio de restrições:
- não pode brincar na rua;
- se quiser sair de dentro de casa, só se for para ir à casa de um outro coleguinha;
- não pode brincar com “isso” pois dá choque;
- se brincar com “assado” irá se machucar; etc.


Desse jeito, o melhor mesmo é ficar em casa, pois é mais seguro para a criança e menos dor de cabeça para os pais, mas quem foi que disse que dentro de casa se está totalmente seguro? A criança aproveita-se da situação de se encontrar só em casa para fazer o que não é permitido: a Internet que é tão usada nos dias de hoje fica totalmente disponível para a criança fazer o que quiser, “eventos” que podem resultar em acidentes domésticos de grandes proporções também são executados.

Se na infância as “artes” já são de assustar imagine quando as crianças atingirem a adolescência!
Meus pais contam que quando eles eram crianças, não havia essa variedade de brinquedos que existe hoje em dia. Poucos eram os que podiam comprar um brinquedo da época. Usavam-se muito a criatividade: vestia-se caroço de manga com roupinha, faziam um rostinho e assim ficava pronto uma boneca para as meninas.

Para os meninos a paixão nacional: bola (das mais vagabundas). Além disso, existiam as brincadeiras coletivas: pular corda; esconde - esconde; pega-pega; queimada (onde se utilizavam bolas de meia); morto-vivo; etc. Quem é que brinca disso hoje?

A infância além de estar mais “curta”, está também menos ingênua, pois o acesso aos meios de comunicação é irrestrito. Não há regras, não há limites, não se estimulam à criatividade desses pequeninos e por conseqüência vêem-se tantos pais perdidos diante da precocidade fria e rebelde de seus filhos e estes por sua vez se aproveitam dessa fragilidade. Felizmente isso não é regra, apenas falta por parte dos adultos um amadurecimento para saber lidar com essa situação nova que o próprio mundo moderno estabeleceu.


Finalizo este artigo pedindo aos adultos para que não “matem” a criança interna que vive dentro de si, pois o mundo adulto é muito chato e para sobreviver nele se faz necessário brincar, sorrir, etc, tal qual uma criança ingênua. Peço também que deixem seus filhos serem crianças, pois dá para conciliar os compromissos com o lazer sem sobrecarregá-los, basta saber a dosagem certa.

Rejane de Fátima Travaioli
Psicóloga clínica

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